Curiosamente passei este último dia da Restauração da Independência com um casal francês sindicalista, investigadores que se encontravam em Portugal de férias e resolveram ver a pequena festa que ocorria nos Restauradores. Foi uma tarde bem passada com partilha de visões sobre estes últimos tempos que a “Fortaleza Europa” passa. Curiosamente convergíamos para as mesmas questões sobre o insucesso na resolução da “crise”. Tal podemos encontrar nesta singela comemoração. Em primeiro, o governo destitui o dia em prol do trabalho, o que não é mal considerado se não estivéssemos a abolir a identidade nacional à qual, agora, apenas consideramos o futebol, telenovelas e fado (contentemo-nos). O mesmo governo não se dignou a estar presente e os parcos participantes oficiais não vou comentar. Curiosamente, alguém apareceu a lembrar-nos de Olivença – esqueçam isso e deviam era pagar mais uns impostos extraordinários por terem saudosismos e não quererem antes estar a cantar “Stars and Stripes” à moda de Wall Street. Finalmente, nem a própria bandeira se ergueu ao vento, um sinal aguardado de esperança… apenas ficou pendurada por uma corda, uma forca, idêntica àquela que subtilmente vão atando a nossa inteligência, por isso resta apenas a continência do marinheiro que a ajudou a erguer. Resumindo, da nossa conversa entre europeus, ficou-nos a ideia comum que não nos unimos porque não temos valores para unir, não temos confiança em quem nos governa, nem sequer confiança na dita maioria silenciosa ou nas “ovelhas negras” saudosistas dos idealismos de leste. Há que nos reinventar, somos capazes disso, dizia o nosso grande Mestre português, Agostinho da Silva, “Viver interessa mais que ter vivido; e a vida só é vida real quando sentimos fora de nós alguma coisa de diferente;”. Para terminar, apenas um pequeno apontamento – somos um estado laico e se querem terminar feriados… Vale a pena pensar no poder que uns e outros têm e, se calhar, na responsabilidade que verdadeiramente devíamos exigir… a esses outros.
Resta-nos alguma glória, falta saber onde… Já agora, podemos mudar o nome de “Restauradores” para “Já não interessa”, ou “Aterro do Coelho”










